1889 - Potira e Caturité: a versão de Irineo Joffily.

POTIRA: um nome pelo qual muitos moradores de Barra de São Miguel-PB se perguntam de onde adveio e porque nomeou a cidade entre 1943 e 1960. Nesta data nosso portal apresenta uma versão desta lenda(?) escrita ainda no século XIX, por Irineo Joffily. 
Sobre Barra de São Miguel continuamos a investigar, tendo em vista que a bela composição a seguir não é elucidativa...

Antes de fazermos a leitura, o editor da obra nos dá a seguinte pista sobre esta história que tem por título "CATURITÉ":

"Esta ingênua composição literária, muito inspirada na Iracema de José de Alencar, foi publicada em três capítulos na Gazeta do Sertão de 11, 18 e 25 de janeiro de 1889, aparecendo logo depois em folhetim, sob o nome I. Jorrily, bastante divulgado na Paraíba. Um exemplar deste folhetim foi deixado pelo próprio autor na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1892. Em 1917, o padre cearense Heliodoro Pires publicou em minas um pequeno folheto com o título de “A Iracema Paraibana”, repetindo com suas palavras a mesma composição, mas ressalvando, “que foi o Dr. Joffily quem recolheu esta lenda”. No O Cruzeiro de 30 de julho de 1955, Gustavo Barroso também repete mesmíssimo tema, com o título de “Morte Heróica de Potira e Caturité”, não indicando a fonte, como era o seu hábito. G. I. J."

Ilustração de Tônio - Jornal A União de 03 de abril de 2009


CATURITÉ

I

Em julho de 1867, viajando de Cabaceiras para a povoação da Barra de Sta. Ana, então vila de Bodocongó, tive ocasião de ver de perto o elevado pico do Caturité.
Fazia a viagem em companhia do distinto juiz de direito da comarca de S. João, Dr. Reinaldo Francisco de Moura, depois desembargador da Relação do Maranhão.
A estrada acompanha sempre o rio Paraíba, passando pela legendária povoação de Boqueirão, onde ainda via-se as ruínas de um antiquíssimo edifício, que uns dizem ter sido um convento, e outros que fora o castelo ou residência do famoso capitão-mor Theodósio de Oliveira Ledo, célere nas guerras contra os indígenas, no princípio do século passado, e conquistador do Cariri.
Boqueirão, povoação inteiramente decadente, tira o seu nome da solução de continuidade que, no lugar, apresenta a serra do Facão ou de Cornaió, rompida pelo rio. É um lugar muito apropriado para um imenso açude, muito superior ao Quixadá no Ceará.
Logo que transpusemos a serra, inopinadamente avistamos em nossa frente, a leste, o Caturité, elevando-se isolado e altaneiro da pequena cordilheira que lhe serve de base.
- Eis o Caturité! Bonito monte! Exclamou o meu companheiro.
- E bonito nome; acrescentei. Mas o que significará na língua indígena a palavra Caturité? Quem sabe se ela não marcará importante época na vida desse povo selvagem, que os portugueses exterminaram?!
- É bem possível!...Indague que há de desvendar o mistério que talvez envolva o nome deste monte.
Volvemos ao silêncio; e continuamos a viagem por muito tempo, contemplando o Caturité, até que o deixamos à nossa esquerda.
No mesmo dia chegamos à pequena vila de Bodocongó.
O dr. Reinaldo de Moura entrou logo nos seus trabalhos judiciários de julgamentos criminais, definitivos e perante o júri; e eu tratei sem demora de organizar uma excursão ao Caturité.
Um amigo, o sr. Japiá, ofereceu-se logo para meu companheiro, prestando-se também a contratar um guia e mais dois homens armados para o que fosse preciso.
Na manhã seguinte deixei a vila e tomei o caminho da serra com meus companheiros. Transposto o rio Bodocongó, que ali faz barra no Paraíba, e vencida mais uma légua e meia de caminho, principiou a subida. Em menos de uma hora alcançamos a chapada da serra.
A vegetação mudou logo, mostrando-se o terreno muito apropriado para a agricultura. Em uma casa de fabrico de farinha, eu e o meu amigo Japiá apeamo-nos e deixamos os nossos cavalos.
Estávamos ao pé do pico do Caturité, que se elevava majestoso, coberto de frondoso arvoredo. Não havia uma picada, um trilho sequer, pelo qual nos dirigíssemos. O guia tomou a dianteira e nós o seguimos. A subida foi difícil; fomos ganhando terreno, segurando-nos de árvore em árvore, até galgarmos o cimo do monte.
Vastíssimo horizonte se patenteou aos nossos olhos. Ao sul via-se a serra de Taquaritinga, na distância de umas doze léguas, e toda essa cordilheira que divide a Paraíba de Pernambuco, até unir-se à serra de Jacarará ao sudoeste.
Ao poente, diversos montes à grande distância; e mais perto a serra de Cornaió e outras, ficando debaixo de nossas vistas a povoação de Boqueirão.
Ao norte a serra Bodopitá, avistando-se por cima dela a cidade de Campina Grande e mais além as elevações de terreno, onde assenta a cidade de Areia.
A leste as serras, onde estão os brejos de Natuba, Guapaba e Pirauá, azuis pela distância e pela virente vegetação que as cobre, e mais perto as de Guaribas e Uruçu.
O rio Paraíba em seu sinuoso curso, traçado de poente a nascente, destaca-se como uma imensa faixa esbranquiçada, onde se vê brilhar aos raios do sol alguns poços e um tênue fio d’água no meio das areias do seu leito.
O Caturité, pelo lado ocidental, é inacessível, havendo uma enorme rocha talhada a pique, descobrindo um medonho abismo de muitos metros de profundidade.
Depois de demorar a vista por mais de uma hora no vasto panorama, acolhemo-nos à sombra de um frondoso jucá, e em seu tronco liso eu e o meu amigo Japiá gravamos com um canivete os nossos nomes e a data de nossa ascensão.
Enquanto isso fazíamos, o guia e seus companheiros cortaram uma umburana e de seu tronco oco tiraram um grande e delicioso favo de jati, que saboreamos à moda indígena.
A descida, embora me parecesse mais difícil do que a subida, foi feita sem o menor acidente. Segurando de árvore em árvore, algumas vezes rojando o dorso no solo escorregadio e em posição quase vertical, chegamos à base do monte. Montamos a cavalo e nos recolhemos à vila.
Cada vez mais curioso por saber a história ou lenda a que se prende o nome de Caturité, indaguei de algumas pessoas e nada consegui que me satisfizesse.
- Catu na língua geral dos indígenas do Barsil, segundo o dicionário de Gonçalves Dias, significa – bom -, e – retê – grande, ilustre.
José de Alencar, em sua inimitável lenda-poema, - Iracema -, é da mesma opinião, decompondo a palavra – Baturité, em – ba-tuire-eté – narceja ilustre; apelido que tomara um chefe potiguara, valente nadador.
Eu presumia que os dois qualificativos – bom e ilustre -, tradução da palavra Caturité, referiam-se a algum chefe dos índios cariris.
Mas como saber?

II

            Decorreram quinze anos.
            Um dia, passando pela serra de Fagundes ou de Bodopitá. Descansei alguns momentos na modesta casa do velho C., donde se via perfeitamente o Caturité, em distância de cinco para seis léguas. Fitando o majestoso monte, exclamei:
- Não conhecer eu a história daquele nome!
- Qual nome? – perguntou-me o velho.
- Daquele monte, Caturité.
- Eu a conheço; - respondeu ele.
Encantado por esse fortuito encontro que viria resolver, aliás, explicar uma palavra para mim tão misteriosa, roguei, instei com o pobre roceiro para que, reconcentrando o seu espírito, contasse fielmente a história, não omitindo nenhum dos pormenores conservados pela tradição.
Guardando silêncio por alguns momentos, o ancião começou:
- Já faz muito tempo. Meu avô presenciou; a meu pai ele contou o que viu e meu pai contou a mim. Esta serra coberta de matas virgens e cheia de fontes d’água, era habitada pela tribo Bodopitá, uma das mais valentes da raça cariri.
Os brancos da Paraíba e da missão do Pilar dominavam, até o pé da Borborema, nunca a tinham subido. Eram para eles regiões desconhecidas e tenebrosas.
Foi quando os portugueses, querendo estender o seu domínio, encarregaram o Capitão-mor, Theodósio de Oliveira Ledo, de conquistar o sertão.
Caturité, bom e grande entre os seus e chefe da tribo Bodopitá, deu o alarme entre as tribos irmãs e provocou o levante geral contra o comum inimigo.
Muitos combates renhidíssimos foram dados, e os portugueses sempre venceram.
O que valiam as flechas dos pobres indígenas contra as armas de fogo dos seus inimigos?
Subindo pela margem esquerda do rio Paraíba, o capitão-mor aproximou-se desta serra e em um último combate exterminou a tribo Bodopitá.
Caturité não morreu, apesar de ter muitas vezes afrontado a morte e de ser o último a abandonar o campo, cheio de ferimentos retirou-se e foi acolher-se nos esconderijos do alto monte, a que deixou o nome.
Depressa sararam as feridas do seu corpo; mas as d1alma sangravam e sangrariam sempre, sobretudo porque Potira, sua estremecida filha era prisioneira dos portugueses.
Potira, a virgem cariri, singela e bela como a bonina, (*)[1] acompanhou com os demais prisioneiros o exército do capitão-mor até Boqueirão, onde ele estabeleceu o seu arraial.
Caturité do seu elevado posto viu a marcha dos inimigos, viu o seu acampamento, viu finalmente que seria cercado e não quis fugir para os Sucurus, a tribo irmã, que podia ainda organizar forte resistência. Preferiu ficar para salvar a filha e fugir com ela ou então morrer.
Era noite escura. O rio Paraíba estava cheio. Caturité desceu o alcantilado monte e atravessando o rio a nado, alcançou a margem direita, e por ela seguiu até que descobriu os fogos do arraial inimigo.
Orientou-se, e segunda vez lançou-se n’água, atravessou um braço do rio, tomando pé em uma ilha, próxima à margem esquerda, onde se achavam os portugueses. Ali chegando com infinitas precauções, subiu a uma elevada craibeira e por entre as suas densas ramagens lançou o olhar sobre todo o arraial.
Na encosta de um oiteiro, em terreno pedregoso, havia o Capitão-mor assentado o seu acampamento. Na frente tinha o rio; à direita, na direção do poente, estava a serra Cornaió. Eram os dois lados por onde poderia ter atacado; e, por isto, como guerreiro experiente, escolheu um terreno, guardado por duas linhas naturais de defesa, para o seu arraial.
Já havia dias que Oliveira Ledo chegara. O arraial formava um grande quadrilátero, tendo no centro a espaçosa tenda do Capitão-mor, e nas suas quatro faces via-se ao pé de árvores as toscas palhoças dos soldados, que não dispunham de tendas, como o seu chefe.
No meio do campo existiam a pequenos espaços grandes baraúnas e aroeiras. Fora, a caatinga era tão fechada pelo caroá, macambira e chique-chique, cobrindo inteiramente o solo nos espaços deixados por árvores e arbustos, que era difícil penetra-la.
À noite, grandes fogueiras circulavam o campo, medida necessária para afugentar as feras; e soltavam-se os cães, amestrados nessas guerra contra os indígenas, e que eram sentinelas mais vigilantes do que os próprios soldados.
Muitos prisioneiros tinha feito o Capitão-mor nos diversos combates, que dera contra os cariris. A presa já era importante e tornava-se preciso cumprir a lei, isto é, tirar-se os quintos para El Rei.
Os prisioneiros foram entregues aos cuidados de um frade, que acompanhava a bandeira, perito no dialeto cariri, afim de doutrina-los.
Potira, pela sua mocidade, pela sua beleza e sobretudo pela sua origem, mereceu especial atenção de Oliveira Ledo e do religioso, o qual, admirado da penetração de seu espírito, até então cercado de espessas trevas, esforçava-se pela sua conversão.
Naquela noite o religioso continuava o seu ensino aos catecúmenos, e, depois de explicar a formação do mundo, o dilúvio universal, o modo porque Noé foi salvo e a vinda do Messias anunciado, levantou a imagem do crucificado e apresentou-a à Potira, dizendo:
- Eis o nosso Deus! (Tupã) (*)[2]
- Pagé dos brancos, - respondeu ela – Tupã é o poderoso no céu, manda o trovão e o raio contra a terra, e não pode ser morto em uma cruz, como este vosso Deus.
- O nosso pagé,  - continuou ela – diz que Tamandaré foi salvo do dilúvio no olho de uma palmeira que flutuou sobre as águas.
O religioso, constrangido e ao mesmo tempo admirado de semelhante raciocínio e da tenacidade com que a jovem indígena sustentava as suas absurdas crenças, empregou todos os meios de conversão explicando os mistérios por meio de comparações e imagens, afim de ser mais facilmente compreendido. Ao mesmo tempo fez-lhe promessas as mais sedutoras.
Potira ficou perplexa. O religioso insistiu; e ela ia responder, quando ouviu ao longe o lúgubre canto do oitibó. Sobressaltou-se e disse depois de uma pausa:
A filha de Caturité só pode seguir religião de seu pai; debalde insistis, pagé dos brancos, para que a deixe.
O religioso, sumamente penalizado pela inutilidade de seus esforços, por supor que aquela alma não quereria, nunca, deixar o erro e aceitar a luz da verdade, deu por finda a prática naquela ocasião, mandando retirar os seus catecúmenos.
Potira e seus companheiros, algemados e presos uns aos outros com fortes cordas de caroá, dirigiram-se escoltados para as proximidades de uma fogueira, onde sentaram-se em círculo.
Súbito ouve-se de novo o canto do oitibó, parecendo agora partir de uma baraúna, em que Potira se recostara.
Cessaram todos os rumores. O arraial dormia.

III

Caturité, dominando todo o campo inimigo do cimo da caraibeira, onde estava, viu à luz de uma fogueira os prisioneiros e entre eles Potira, a quem o religioso dirigia a palavra. Então imitou o canto do oitibó para anunciar a sua presença.
Depois viu que os prisioneiros se retiravam e que tomavam posição um pouco adiante. Foi quando ouviu repetido o canto que soltara.
Tinha agora a certeza de ter sido compreendido por sua filha. Esperou, Passado algum tempo, desceu da árvore, entrou no rio e mergulhando surgiu na margem oposta.
Não se levantou; a posição horizontal, que guardava n’água, conservou em terra. De bruços deslizou sobre o solo, sem que se ouvisse o choque de qualquer pedra, que se deslocasse ou o atrito de seu corpo sobre a erva.
Imperceptivelmente ganhou terreno aquele vulto, que se dizia imóvel, até que atingiu um penhasco isolado, à pequena distância do arraial. Lá chegando, levantou-se, amparado da pedra e de novo fez ouvir o canto do oitibó.
O som agora tinha variado. A ave notívaga tem a propriedade de expedir sons vagos, indeterminados, quando vôa, parecendo, assim, dar o anúncio de sua passagem. Quando, porém, pousa, o seu canto muda; a sua voz lúgubre torna-se acentuada.
Assim, o oitibó tinha agora soltado o seu canto em tom breve e imperativo, como se quisesse dizer:
- Vem!...vem!...

IV

Decorreu o espaço de alguns minutos.
De repente a esbelta figura da jovem indígena revelou-se, e Potira, lançando-se nos braços de Caturité, diz:
- Eis tua filha, Caturité! Mas fujamos, que os brancos nos perseguem.
O momento era crítico. O chefe cariri tinha formado o plano de fugida, atravessando com sua filha o Paraíba, naquela ocasião barreira insuperável para os seus inimigos; mas vendo os pulsos de Potira presos com algemas, conheceu logo a impossibilidade de pôr em execução o seu plano.
Tomou então a resolução de fugir pela margem do rio, até as fraldas da elevada serra, onde era o seu asilo.
Mais rápida do que a ema do seu sertão, estava agora Potira tolhida em sua carreira; mas, ainda assim, nunca seria alcançada pelos soldados portugueses que a perseguiam, se não fosse os cães, que botaram em sua pista.
A matilha sendo açulada por seis arcabuzeiros, que a seguiam de longe, alcançou o par perseguido, obrigando Caturité a deixar a margem do rio, penetrando na caatinga, onde poderia melhor defender-se.
O guerreiro cariri tinha as suas armas, o rígido tacape e o arco com a uiruçaba cheia de setas.
Entrando na caatinga dois gigantescos cães, mais audazes do que os outros, lançaram-se furiosos sobre eles. Caturité com a maior agilidade duas vezes vibrou o tacape e os prostrou por terra moribundos, sacudindo-os em seguida sobre o resto da matilha, que recuou amedrontada.
Teve tempo, então, de alcançar um serrote e do seu cimo Potira soltou um grito de alegria:
- Jaci (*)[3]: - disse ela.
A lua, no quarto minguante, aparecia agora por trás de uma nuvem já elevada no horizonte. À sua luz Caturité examinou as algemas que prendiam a filha e dispôs-se a quebra-las, muito embora ficassem contusos ou feridos os seus pulsos. Via ser impossível de outro modo a sua salvação.
Escolheu uma pedra da maior rigidez e usando dela como martelo, conseguiu, sem demora, libertar a jovem indígena da infame prisão.
Potira vendo-se livre, como o passarinho que alisa as penas para o rápido vôo, ajeitou a sua arassoia (*)[4] e despediu-se em carreira veloz por uma clareira do bosque.
A matilha continuou a persegui-los; mas já não acometia, esperava que seus senhores chegassem para darem cabo da caça.
E essa caçada humana, semelhante à do jaguar, continuou pelo resto da noite e com o aparecimento do dia.
Subindo a serra, já dia claro, Caturité tomou posição ao pé do grande jucá, que ainda lá existe e dispôs-se a exterminar o resto da matilha.
Uma primeira seta, que disparou, pôs fora de combate um dos cães e o outro que restava abrigou-se por trás de uma árvore no cerrado da mata.
Nesse momento assomou um dos arcabuzeiros, e Caturité, que já tinha o seu arco preparado, cravou-lhe uma seta na garganta.
Os outros portugueses apareceram logo e quando o chefe indígena disparou de novo o seu arco, estrondou uma descarga de quatro tiros.
Potira, ferida no peito por uma bala, inclinou a fronte e ia cair, quando Caturité, soltando um terrível grito, segurou-a, levantando-a em seus hercúleos braços.
Então recuou alguns passos, sempre com os olhos fitos nos seus inimigos, até que aproximou-se do despenhadeiro.
Conservando sua filha exânime, reclinada sobre seu ombro e sustentando o seu corpo com um dos braços, Caturité voltou-se rapidamente e dando prodigioso salto, foi cair sobre os galhos de um frondoso jatobá e desapareceu no abismo.
O ancião fez uma grande pausa e depois disse em conclusão:
- É a triste história de Caturité. (*)[5]

Fonte:
JOFFILY, Irineo. Notas sobre a Parahyba. Brasília: Thesaurus editora. Fac-símile da 1ª edição publicada no Rio de Janeiro, em 1892, com prefácio de Capistrano de Abreu.
Ilustração do Jornal A União de 03 de abril de 2009 


[1] Potira, na língua geral, significa bonina, flor. (O asterisco é do próprio autor e confere com o Dicionário da Língua Tupy de Gonçalves Dias, ed. de 1857).
[2] Tupã, na língua indígena, significa Deus. (Asterisco do texto).
[3] A Lua. Decompõe-se: já – nós, ci – mãe.
[4] Vestido de Penas. (os asteriscos são do próprio texto).
[5] Esta ingênua composição literária, muito inspirada na Iracema de José de Alencar, foi publicada em três capítulos na Gazeta do Sertão de 11, 18 e 25 de janeiro de 1889, aparecendo logo depois em folhetim, sob o nome I. Jorrily, bastante divulgado na Paraíba. Um exemplar deste folhetim foi deixado pelo próprio autor na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1892. Em 1917, o padre cearense Heliodoro Pires publicou em minas um pequeno folheto com o título de “A Iracema Paraibana”, repetindo com suas palavras a mesma composição, mas ressalvando, “que foi o Dr. Joffily quem recolheu esta lenda”. No O Cruzeiro de 30 de julho de 1955, Gustavo Barroso também repete mesmíssimo tema, com o título de “Morte Heróica de Potira e Caturité”, não indicando a fonte, como era o seu hábito. G. I. J.