13 de dezembro - Registros da devoção à Santa Luzia na região de Barra de São Miguel - PB

A data de 13 de dezembro é bastante emblemática para a comunidade católica: "Dia de Santa Luzia". Nesta matéria procuramos conhecer um pouco melhor alguns aspectos desta tradição religiosa, tanto em seu aspecto material, quanto simbólico, para a região caririzeira. 

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Em Barra de São Miguel - PB, além da longa história de celebração de novenas e procissões na igreja matriz da sede do município, Santa Luzia também é venerada pelos habitantes do Sítio Cachoeira e suas adjacências, a exemplo da "Melancia", do "São Francisco" e "Assentamento Bom Jesus".
A partir do acervo do nosso amigo colaborador José Clemilton Truta, vamos conhecer alguns fragmentos desta devoção à Santa Luzia pelas referidas localidades.
Para iniciarmos, observamos uma bela imagem da construção do templo católico na comunidade da Cachoeira, local construído no início deste século XXI. Segundo informação escrita na própria fotografia, este seria o aspecto da igreja de Santa Luzia no ano de 2003.
Destaque-se a união da comunidade para a realização de diversas campanhas de arrecadação de recursos para a construção da Igreja de Santa Luzia.
A seguir, vejamos mais uma imagem desta construção, a partir de sua estrutura interna:

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Barra de São Miguel por muitas décadas pertenceu à Paróquia de São Pedro de Caraúbas - PB, criada em 04 de outubro de 1923. Porém, a mesma passou muitos anos sem contar com um sacerdote com moradia fixa na mesma, sendo administrada por Pe. Paulo Roberto, vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição da cidade de Sumé - PB, que dava assistência por esta região. O mesmo celebrou a primeira missa em Barra de São Miguel no dia 29 de maio de 1960 e ficou a frente da comunidade local até o início deste século XXI. Desta forma, apesar de suprir os sacramentos e celebrações na sede do município, percebe-se que era um tempo onde o trabalho de criação de novas comunidades acabava ficando em segundo plano.
A partir da assistência e posterior administração da Congregação Redentorista à Paróquia de São Pedro, com destaque, entre outros, para o Padre à época, hoje Bispo, Dom José Luiz Ferreira Sales CSsR. ,  percebe-se o crescimento no número de comunidades que passaram a se organizar, primeiramente em torno das celebrações de missas e demais sacramentos em locais improvisados, como grupos escolares, e em seguida a construção de templos próprios nas comunidades.

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É neste contexto que celebrações como as descritas nas imagens 3 e 4 passaram a fazer parte do cotidiano da zona rural de Barra de São Miguel, a exemplo da Comunidade de Santa Luzia da Cachoeira. Inicialmente a população desta comunidade realizava seus encontros e celebrações no Grupo escolar do Sítio Melancia.
Segundo registro escrito no verso destas fotografias, estas imagens são de "missa na Comunidade Cachoeira 2002", ou seja, é um registro deste momento inicial da comunidade onde as pessoas se reunião no grupo escolar, enquanto eram realizadas as obras de construção do templo local.
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Na imagem 4 vemos o espaço celebrativo aberto, com muitos moradores da localidade da Cachoeira e suas adjacências.
A partir de escolha e aclamação da própria comunidade, Santa Luzia foi escolhida como padroeira da Igreja que foi construída nesta região.
A partir de então, neste período entorno da data de 13 de dezembro, a festa religiosa em homenagem a Santa Luzia passou a também ser celebrada pelos moradores locais. Esta é uma tradição que está a cada ano crescendo mais.

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Na imagem 5 podemos observar a capa de um convite das primeiras Festas de Santa Luzia na comunidade da Cachoeira. Trata-se de celebrações religiosas realizadas no período de 08 a 17 de dezembro de 2006. Aqui, o templo já apresenta o aspecto final, embora outras obras ainda viriam a ser realizadas posteriormente. Destacamos ainda que, na época, estava a frente da Paróquia de São Pedro, o Rvmo. Pe. Rogério Epifânio Roque, que assina o convite festivo.

A seguir, vejamos uma interessante descrição que de certo modo nos aponta porque Santa Luzia tem tão longa tradição de veneração, não só na região de Barra de São Miguel, mas no Nordeste brasileiro como um todo. A sabedoria popular consagrou de geração em geração as conhecidas "experiências de Santa Luzia". Sobre estas, vejamos o que nos diz o poeta Zé Saldanha:

"- Na véspera do dia consagrado à Santa Luzia, riscam-se numa tábua ou papelão seis retângulos, correspondendo cada um deles a um mês do ano, de janeiro a junho, época do inverno, coloca-se em cada quadrado uma pedra de sal e expõe-se ao sereno, nessa noite de 12 para 13 de dezembro. Pela manhã, vai-se ver o que aconteceu. Conforme o sal esteja derretido neste ou naquele quadrado, choverá mais ou menos nos meses correspondentes.
- Uma outra profecia de Santa Luzia consiste em observar os dias 14 a 19 de dezembro. Para cada dia corresponde um mês do primeiro semestre. Assim chovendo, por exemplo, no dia 17, o mês de abril será bom de inverno".


Para finalizarmos, vejamos o seguinte relato sobre a história de Santa Luzia:

"Santa Luzia nasceu no ano de 280, na cidade litorânea de Siracusa, Itália. Seus pais eram nobres e cristãos. O pai, Lucio, faleceu quando Luzia era muito pequena. Sua mãe, Eutíquia, a educou. (...) Queria consagrar sua vida a Deus e fazer voto de castidade e fidelidade a Jesus. Além disso, ela iria entregar seu dote de casamento (uma pequena fortuna) e seus bens para os pobres. Sua mãe concordou. Aconteceu, porém, que Luzia tinha um pretendente para casamento. E este não se conformou com a decisão de sua amada e a denunciou ao Governador Pascásio, acusando-a de ser cristã. O imperador Diocleciano tinha emitido um decreto autorizando punição exemplar para os cristãos. (...) O governador, furioso, mandou matá-la ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre ela resina e azeite fervendo, mas nada aconteceu à jovem. Os carrascos continuaram com o seu martírio e lhe arrancaram os olhos. Daí vem a devoção a Santa Luzia como protetora dos olhos. (...) Santa Luzia morreu no dia 13 de dezembro do ano de 304. Os cristãos de Siracusa a elegeram Padroeira da cidade e construíram um templo em seu nome. (...) No ano de 1040 o General grego Jorge Mariace levou o corpo de Santa Luzia para Constantinopla a pedido da imperatriz Teodora. No ano de 1204 os cruzados venezianos reconquistaram o corpo de Santa Luzia e o levaram para Veneza, lugar em que esta até hoje na igreja de São Jeremias, onde é venerado".

Por hora, sigamos recolhendo mais memórias e histórias de Barra de São Miguel e de suas comunidades religiosas, a exemplo de Santa Luzia da Cachoeira.

João Paulo França, 13 de dezembro de 2017

Fonte:

Acervo e informações de José Clemilton Truta.
Acervo da Câmara de Vereadores de Barra de São Miguel - PB.
Site Santos e ícones católicos. Santa Luzia Disponível em: http://cruzterrasanta.com.br/historias-de-santos.aspx?idsanto=95#c. Acesso em 12 de dezembro de 2017. 
Site Recanto das Letras. Zé Saldanha. Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/resenhas/4279487 .  Acesso em 13 de dezembro de 2017.